Os últimos anos de produção na Universitária FM 107.9 têm sido bem intensos, daqueles que não deixam ninguém parado. O rádio, como todo mundo sabe, é um meio de comunicação de massa que exige presença, escuta atenta e dedicação permanente de quem está por trás do microfone e nos bastidores de produção.
Mas e se eu te disser que programas de rádio também podem ser espaços de pesquisa e extensão? Pois é exatamente isso que vem acontecendo por aqui. Atualmente, coordeno dois projetos extensionistas que, além de irem ao ar, acabam se desdobrando em experiências acadêmicas e artísticas riquíssimas, cruzando universidade, território e criação de um jeito vivo e transformador.
É o caso do Festival Irradia de rádio arte e artes sonoras, que já realizou três edições e transmitiu mais de 200 produções. Já no projeto Zumbi, trabalhamos com rap, hip hop e outras artes periféricas, em uma interseção temática entre estéticas sonoras e questões urbanas.
Tudo que fazemos nesses projetos mistura conhecimento técnico-profissional com pesquisa teórica. Muitas vezes, a pesquisa acadêmica está ali como fonte para estarmos mais informados e fazermos melhor nosso trabalho. E outras tantas vezes esse trabalho também requer nossas próprias investigações e experimentações. Isso leva, de certa forma, à produção de dados originais. Se é assim, por que não formalizar pesquisas acadêmicas a partir dessas experiências?
Foi pensando nisso que, em 2025, criamos o Grupo de Pesquisa Som, Música, Mídia e Espacialidade. Em dezembro, foi realizado nosso primeiro colóquio, reunindo trabalhos que buscam desdobrar as práticas e demandas cotidianas na Universitária FM em investigações de cunho teórico-metodológico, envolvendo estudantes de graduação e pós-graduação da Universidade Federal do Ceará.

Foi fundamental contar com a presença de colegas de diferentes áreas, além de artistas, produtores e agentes culturais do movimento hip hop. Todo mundo chegou com interesse genuíno e mostrando bastante envolvimento nos temas apresentados. Uma demonstração clara da força que nasce quando pesquisa e extensão caminham juntas.
Dá uma olhada nos trabalhos apresentados:
Os lugares do Hip-Hop em Fortaleza-CE: entre sons, corpos e imagens
Leon Denis Ferreira Xavier
Direitos Humanos nas periferias: o rap como ferramenta de denúncia contra a violência policial
Pedro Henrique Rodrigues Sarmento Braga
Tirando da caixa: iniciativas para criar um acervo documental do movimento Hip-Hop no Ceará
Thaís A. Aragão, Kelly Lima, João Rodrigues
Analisando a programação de uma rádio comercial com foco no rap
Thaís A. Aragão e Noah Cruz
Jornalismo ambiental ao alcance do ouvido: a experiência do projeto Cuida, Criatura!
Rosane Nunes e Bernardo Maciel












